Perdido na Comunicação

Como tudo. Como Todos.

Arquivado por Março, 2009

Publicidade: Compal Goiaba

Publicado por Wendell Fernandes Em Março - 30 - 2009

No dia 17 de Março foi lançada a nova campanha publicitária da Compal, divulgado o seu novo produto, Compal Goiaba. O vídeo com tom humorístico, tem como pano de fundo um local no interior do Brasil onde uma casal, com sotaque típico do centro-oeste do país, despede-se de sua suposta filha, a goiaba.

De facto, a minha atenção para a campanha só se tornou maior quando ao passear pelos transportes públicos vi uma outra parte da campanha, com a sugestiva frase, “Nasceu no Brasil, mas já pediu a nacionalidade”.

Posso estar sendo um pouco reactivo ou posso está a ter a mania de perseguição mas tenho minhas dúvidas sobre a boa intenção da piada presente da campanha, gostaria que existisse um aparelho que fosse capaz de medir a eficácia de um spot ou de uma campanha inteira. Fico desde já curioso por saber se o Compal feito da “filha do casal de agricultores” será consumido na costa oeste do velho continente. Esperaremos um ano ou dois e veremos se o mix de sabores da Compal nos dá alguma reposta.

A direcção criativa esteve a cargo de Pedro Ferreira e Judite Mota (da Young & Rubicam), “Pai e Mãe” que está a ser exibido nos canais generalistas (SIC,RTP,TVI) e em alguns “cabo” (Fox,SIC Notícias, AXN).


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Emotional Design por Donald Norman

Publicado por Wendell Fernandes Em Março - 27 - 2009

Mesmo sem recorrer excessivamente às teorias, o autor, Donald Norman, jutifica todos os seus pontos de vista e levanta neste maravilhoso livro, inúmeras problemáticas do nosso quotidiano, não às deixando de exemplificar e exemplificar.

“Just as emotions are critical to human behavior, they are equally critical to intelligent machines, especially autonomous machines of the future that will help people in their daily activities.”

O que Donald Norma conclui é que existe algo mais entre um utensílio, o usuário e o uso propriamente dito, segundo ele existe também o “prazer”. Este prazer surge na medida em que o tal utensílio passa a decodificar o homem e sua vida. O prazer de usar a tal coisa é paralelo ao prazer que tem-se em satisfazer a necessidade do uso, pois acrescentamos neles o prazer de sua utilização.

“EMOTIONS ARE ALL ABOUT JUDGEMENT”

A estruturação de 3 níveis de design [visceral, comportamental e reflexivo] e a compreensão de que a emoção está intimamente ligada à lógica permitiu a Norman fundamentar as suas conclusões. De facto, não é possível separar cada uma das dimensões de um processo de decisão. “Emotion changes the way the human mind solves problems” – é errado pensar que reagimos logicamente às situações com que nos deparamos.

Embora a cognição nos ajude a interpretar o mundo que nos rodeia, é a emoção a primeira reacção do ser humano, porque, como diz Norman, mais importante que compreender é sobreviver.

Quando pensamos nos objectos com que interagimos, o processo é o mesmo. O primeiro impacto que temos é a sua aparência, é ela que nos descodifica os atributos do objecto – bonito/feio, agradável/desagradável, familiar/estranho são características atribuídas quase de imediato e que não tendem a variar de indivíduo para indivíduo. Por outro lado, são os níveis comportamental e reflexivo os mais sensíveis à experiência. Actuam a um nível inconsciente, lidando com a experiência que temos relativamente ao objecto [relação entre função, performance e “usabilidade”]. Mas é o terceiro nível o mais vulnerável às diferenças culturais, pessoais,educacionais e sociais. A nossa satisfação pessoal e as nossas memórias são jurados naquele que é o julgamento final sobre a racionalização e intelectualização do uso do produto.

“It is not possible to have design without all three. But more important, note how these three components interweave both with emotions and cognition. (…) A successful design has to excell at all levels.” – para além de ter noção destes conceitos, um designer deve sobretudo ter noção que é muito ténue a linha que os separa.

“ONE PERSON’S ACCEPTENCE IS ANOTHER ONE’S REJECTION. WORSE, WHAT IS APPEALING AT ONE MOMENT MAY NOT BE AT ANOTHER.”

Quando laçada a questão – É possível fazer design que agrade a toda a gente? -, a resposta é bastante óbvia: não. A este nível, faz sentido efectuar um paralelismo entre a função do designer e algumas políticas de marketing, já que é segmentando e conhecendo o seu público-alvo que o designer ultrapassa a impossibilidade de agradar a gregos e a troianos. Se é difícil conhecer a personalidade do utilizador, ainda mais difícil é prever mudanças de espírito e emoções que decorrem num espaço de dias, horas, minutos. É neste aspecto que interessa conhecer alguns princípios de marketing, sobretudo relativamente aos estudos de mercado. Nenhum produto atinge o seu objectivo se não é correcta e eficazmente direccionado a um determinado público-alvo. O design não é excepção.

Uma das problemáticas que julgo mais pertinente no primeiro capítulo é a que se refere à possibilidade/impossibilidade de conciliar beleza e eficácia no mesmo produto. Será utópico reunir estes dois atributos no mesmo objecto? Como refere o autor, “ Usable design is not necessarily enjoyable to use. (…) An attractive design is not necessarily the most efficient. But must these attributes be in conflict? Can beauty and brains, pleasure and usability go hand in hand?”.

Se pensarmos que a emoção e a razão, embora de lados opostos, se dissolvem, não me parece utópico que beleza e eficácia não façam o mesmo. O autor fundamenta de forma bastante concisa que objectos atractivos funcionam melhor. De facto, a sua atracção desperta curiosidade e emoções positivas que, por sua vez, tornam o processo mental mais criativo e tolerante às dificuldades. “How does that make something easier to use?” –

Objectos pouco atractivos suscitam a repetição de erros, não porque são pouco eficazes, mas porque aumentam a ansiedade e frustração do utilizador. Ou seja, a capacidade de um objecto atrair o seu utilizador aumenta a tolerância aos erros e a busca de soluções alternativas. É neste aspecto que a beleza pode estar, não contra, mas a favor da usabilidade do produto – “products and systems that make you feel good are more easier to deal with and produce more harmonious results.”.

A dualidade entre as nossas necessidades e desejos acrescenta fundamento a esta teoria. A distância entre aquilo que precisamos e aquilo que queremos faz toda a diferença quando falamos da eficácia de um produto. “Wants can me more powerfull than needs.” É o derradeiro argumento de que não é a “usabilidade” de um objecto que determina a sua eficácia.

“THE OBJECTS IN OUR LIVES ARE MORE THAN MERE MATERIAL POSSESSIONS (…) BECAUSE OF THE MEANING THEY BRING TO OUR LIVES.”

O sub-capítulo Objects that evoke memories lança questões que me cativam particularmente. Podia redigir um parágrafo só de citações, porque considero que é aqui que a fundamentação do autor excede em criatividade e pertinência.

De facto, quantas vezes menosprezamos o valor das souvenirs pela sua qualidade “rasca”, impessoalidade, e até mesmo pelo baixo preço… O que é certo é que todos nós as oferecemos. Como diz D. Norman, o que é que a popularidade destes objectos nos diz? Como todo o acto massificado, existe sempre uma razão psico e/ou sociológica que nos transcende à primeira vista. Neste caso, não chega atribuir ao preço a responsabilidade pela popularidade destes objectos. Chamo atenção para a frase do início do parágrafo, porque sem dúvida que a ligação simbólica a estes objectos transcende o seu valor material – “that object is important only as a symbol, as a source of memory, of associations.”.

Mais uma vez, é indiscutível o papel que a emoção representa na forma como nos relacionamos com os objectos. Passa a fazer sentido afeiçoarmo-nos a objectos simples e desgostar de objectos super-ultra-mega fantásticos. No fundo, o valor do objecto transcende a sua qualidade, beleza e “usabilidade”. É valioso pelas sensações e memórias que nos invoca.

Não posso deixar de concluir com uma citação que me deu que pensar, mas que em vez de desenvolver, prefiro dar asas a comentários interessantes [quem sabe…]: “Our self image plays a more important role in our lives than we like to admit. Even those who deny any interest in how others view them actually do care, if only by making sure that everyone else understands that they don’t.”

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Documentário 'O Sonho Checo'

Publicado por Wendell Fernandes Em Março - 27 - 2009

O filme “Sonho Checo” (Czech Dream – Cesky sen) nos traz um reality show de dois estudantes de cinema que preparam seu trabalho final com uma abordagem polémica: O poder de persuasão da propaganda nas pessoas e o consumismo alienado. Assim, eles criam as peças publicitárias, slogans e músicas para um hipermercado chamado “Sonho Checo” que não existe e não existirá

Depois convidam todo mundo para a grande inauguração e assistem a reacção das pessoas ao ver que não existe hipermercado nenhum.

Girando em torno desse tema central, somos levados a reflectir sobre o quão verdadeira é a voz da publicidade, quanto estão nos enganando com propagandas aproveitando essa onda de consumismo exagerado. Teoricamente existe uma ética a ser seguida ao tentar vender o nosso produto, não podemos enganar ou trapacear os consumidores, clientes e eleitores. Mas na prática isso não se aplica. Por um lado pela impunidade, pelo outro pela ganância.

Eles mentiram sobre algo que nem existiu, mas quantas vezes nos sentimos enganados por produtos que são reais?

“O mundo é seu, então pegue, tudo o que você precisa é querer, não seja preguiçoso, venha e pegue um carrinho de compras. Não estrague tudo, deixe o Sonho Checo começar…”

A frase acima, falada por um dos profissionais de comunicação no filme, é verdadeira principalmente para aqueles que sabem persuadir. Nós podemos convencer os outros pelas nossas razões, mas só os persuadimos com as deles.

E realmente a persuasão eficiente é aquela que apela para o egoísmo, ambições, invejas, ciúmes, paixões, dores e arrependimentos das pessoas, demonstrada pelas obras de Shakespeare. A República Checa, que há pouco vivia em filas para comprar comida, está vivendo um sonho de consumo com a abundância de acesso a supermercados, movido pela vontade de consumir da população

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Existe uma Língua para o Pensamento?

Publicado por Wendell Fernandes Em Março - 27 - 2009

Antes de ler o texto, responda a si mesmo a pergunta-título. Será que você, falante nativo do português, pensa em português? Será que o falante nativo do russo pensa em russo? Ou será que existe uma outra maneira para a ocorrência do pensamento e ele é “traduzido” por nós quando falamos?

Descartes diz que o que nos diferencia dos animais é a linguagem e a partir dela ele chegou a conclusão de que nós possuímos um espírito, uma contra parte interior que nos tira da categoria de autómatos. Em outras palavras, é através da linguagem que transmitimos nossos pensamentos, é essa contra parte interior que nos faz diferentes das máquinas que por comandos tem acções e reacções relativamente previsíveis ou “calculáveis”. Chomsky , próximo da ideia de Descartes vai dizer que uma das principais funções da linguagem é a expressão do pensamento. Em nenhum momento, porém, os autores dizem que linguagem e pensamento são a mesma coisa. Se não me engano, Piaget e Vigotsky dizem algo sobre a natureza do pensamento e da linguagem e que ambos provém de “lugares” diferentes.

Bem, eis a proposta do texto: linguagem e pensamento não são a mesma coisa. Nós certamente não pensamos em nossa língua nativa. Pense na seguinte situação: Você acorda e percebe que está com fome/ Pensa em tomar café com leite e pães de queijo, mas lembra que você comeu todos eles na noite anterior/ Você teria de sair de casa para comprar mais/ Então, você decide não ir até o supermercado/ Escolhe comer outra coisa ou apenas tomar o café. Toda essa seqüência de decisões demoraria um bocado se fosse articulada sentença por sentença em sua língua nativa. Nós geralmente pensaríamos essas coisas sem articular frases em português.

Segundo Pinker, em seu ótimo livro O Instinto da Linguagem, acreditar que nós pensamos na nossa língua é um absurdo convencional. E dá um óptimo exemplo: “Todos tivemos a experiência de enunciar ou escrever uma frase, parar e perceber que não era exactamente o que queríamos dizer. Para que haja esse sentimento, é preciso haver um ‘o que queríamos dizer’ diferente do que dissemos”. Quantas vezes não pensamos com frequência sobre um determinado assunto, mas na hora de falar sobre ele não conseguimos articular as palavras? Ou seja, não conseguimos traduzir do mentalês (definição de Pinker) para o português.

Existe a hipótese de que a linguagem e o pensamento estejam ligados e esta ideia está ligada a Sapir e a Whorf. Eles afirmam que é uma determinada língua que direcciona o nosso pensamento. Por exemplo, falantes da língua Wintu têm que colocar um ou outro sufixo em seus verbos para marcar 1) se o conhecimento que estão transmitindo foi aprendido por observação direta ou 2) se foi aprendido por “ouvir dizer”. Mas isso não significa muito, pois será que os falantes do inglês, português ou espanhol não sabem se aprenderam algo por observação directa ou por terceiros? Claro que sabem. A língua, sendo Wintu ou não, não altera o nosso modo de pensar/ver a realidade.

Pinker trás alguns exemplos de pensamento sem linguagem: bebés, seria um deles, não podem pensar com palavras. Macacos muito menos, pois não tem capacidade para aprendê-las. Portanto, a língua do pensamento seria essa espécie de mentalês – que nos faz diferentes dos animais e das máquinas, que nos faz não-autómatos. E se é verdade que não existe tradução perfeita, faz sentido que existam alguns de nossos pensamentos que são melhores quando guardados connosco, quando não afirmados ou expressados. Mas aí, a discussão sai do campo da linguística e da proposta deste texto.

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Publicidade Anti-Deus, Isso Existe?

Publicado por Wendell Fernandes Em Março - 27 - 2009

Um estranho facto fez com que alguns estudantes cristãos na Grã-Bretanha começassem  a participar duma distribuição de Evangelhos em grande escala. O estranho facto foi nada mais nada menos que anúncios ‘anti-Deus’ colocados em autocarros por todo o país.

As associações cristãs das universidades de todo o Reino Unido desde então, começaram a oferecer 400.000 exemplares de uma edição especial para estudantes do Evangelho de São Marcos, na tentativa de fazer os alunos universitários pensarem um pouco mais em Deus.

Esta distribuição segue o lançamento de uma aparatosa campanha ateísta promovida pela British Humanist Association (BHA) em 800 autocarros de todo o país, no mês passado.

É necessário entender como isso começou para que possamos tomar nosso partido. A campanha ateísta começou quando a escritora Ariane Sherine (na foto abaixo) escreveu um artigo em junho 2008 sobre os anúncios cristãos que estavam vinculados nos autocarros de Londres.

Estes anúncios, indicavam o endereço de um site que dizia que os não-Cristãos queimariam no fogo do inferno por toda a eternidade (goddamnit!). Ariane sugeriu então que todos os ateus que lessem o seu artigo se propusessem a doar £5 (Cinco Libras) para financiar uma contra campanha. Acreditem, deu certo!

O anúncio da BHA proclamava; “Provavelmente, não há Deus. Agora, pare de se preocupar e goze a vida”, e foi aprovado pelo famoso professor ateu, Richard Dawkins.

A UCCF: thechristianunions – a organização tutelar dos Sindicatos Cristãos – disse que a elevada afluência aos seus serviços de cânticos no Natal passado foi uma indicação de que os estudantes universitários não partilham do cepticismo de Dawkins e de outros ateus.

Pod Bhogal, Gerente de Comunicações na UCCF: thechristianunions, confirmou a resposta positiva à campanha da parte de outros Cristãos.

“Mais uma vez, devemos agradecer a Richard Dawkins por ter elevado o perfil de Deus”, disse ele. “O seu livro Deus: Uma Ilusão, foi uma excelente plataforma para as associações Cristãs sediarem eventos onde as reclamações sobre Deus e Jesus Cristo puderam ser discutidas abertamente e, através disto, as pessoas tornaram-se Cristãs. Agora a sua publicidade em autocarros anuncia claramente que os ateístas não podem ter a certeza. E isto, obviamente, não é um bom ponto de partida para alguém se deixar de preocupar!”

O Sr. Bhogal afiançou que a publicidade ‘anti-Deus’ iria estimular o debate sobre a existência de Deus.

“A apatia é o maior perigo espiritual neste mundo, pelo que o ateísmo militante de Dawkins faz toda a gente reflectir e conversar. Estamos-lhe gratos por manter Deus na agenda deste país.”

Estudantes Cristãos distribuirão exemplares do Evangelho de São Marcos durante os próximos dois meses.

O Sr. Bhogul disse que esta distribuição irá ajudar os alunos a “investigarem a pessoa de Jesus e a formatarem as suas próprias mentes sobre se Ele era Deus em forma humana ou apenas um impostor”.

As Associações Cristãs também estão a planear eventos de sensibilização durante todo o ano, que vão desde debates a palestras, reuniões de café, cursos Alfa e sessões de perguntas e respostas durante a hora de almoço.

Mais uma vez, percebe-se que, somente quando as forças da comunicação social se manifestam é que a sociedade acorda para isso ou para aquilo. Um dia discutiremos o Capitalismo. Quem sabe?

Quem foi mesmo o ‘doutor’ que disse serem míninos os efeitos dos mass media?

Faça-me um favor! Por essas e outras é que continuo acreditando em Noelle-Neumann.

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