Perdido na Comunicação

Como tudo. Como Todos.

Bill Bernbach, o B da DDB

Publicado por Wendell Fernandes Em Agosto - 29 - 2009

William “Bill” Bernbach foi para a publicidade o que Philip Kotler é para o marketing. Muitos provavelmente podem nunca terem ouvido falar do seu nome completo, então eu lhes apresento o senhor Bernbach, a letra “B” da agência mundialmente conhecida DDB.

63vwbeetle4963

Não é o QUE você diz que estimula as pessoas, é COMO você diz”. Bernbach não inventou a publicidade, mas a recriou. Antes dele, tudo era normal e enfadonho. Como a maioria das grandes personalidades da história, Bernbach era um homem visionário, dono de argumentos poderosos — presunçosos para alguns — e que não se conformava com a mediocridade. Ele foi responsável pela revolução criativa da década de 60, criador da melhor campanha publicitária do século XX (VW Beatle) e provavelmente o primeiro a unir Redactor (Copywriter) e Director de Arte em uma Dupla Criativa — antes em departamentos separados .

Transcrevo abaixo um trecho do livro de Luke Sullivan sobre quem foi Bill Bernbach:

“A verdade não é verdade até que as pessoas acreditem em você e as pessoas não acreditarão em você se elas não souberem o que você está dizendo, e elas não saberão o que você está dizendo se elas não ouvirem você, e elas não ouvirão você se você não for interessante, e você não será interessante a menos que você diga coisas imaginativas, originais e frescas.”

Muita gente sabe que a década de 60 foi a década de ouro da publicidade. Mas pouca gente que 70 não foi. Marketing estratégico com suas pilhas de números foi, por um longo, rival da publicidade. A chegada do conceito “posicionamento” criada por Al Ries levou a publicidade das empresas de volta a sem-graceira da década de 50. Empresas testavam campanhas antes de veicular, realizavam pesquisas e mais pesquisas na tentiva de posicionar o produto e deixaram de usar uma publicidade adequada.

Os anúncios haviam perdido a piada. Um exemplo do embate entre Estratégia X Publicidade é o do refrigerante 7UP: Na era das colas, ao invés dele ser posicionado como refrigerante claro com sabor de limão, ele automaticamente se tornou conhecido como “o não-cola”. Isso foi antes de Ries e seu conceito, a publicidade havia conseguido posicionar o 7UP com muito menos ou quase nenhum número. O que isso tem a ver com Bill? Uma década antes do termo posicionamento ser escrito pela 1ª vez, Bill disse: “você pode dizer a coisa certa sobre o produto e ninguém irá ouvir”. E bateu de frente contra a pesquisas e dados dizendo “quanto mais intelectual você fica, mais você perde as habilidades intuitivas que realmente tocam as pessoas”.

Bill Bernbach reiventou a publicidade, ensinou publicitários a ser mais do que meros vendedores anônimos. “A boa publicidade aumenta vendas, a grande publicidade constrói fábricas”. Bill batia de frente com a mediocridade 60 anos atrás, repudiando a publicidade meramente vendedora e sem brilho dizendo que isso era ruim para o cliente e para o mercado como um todo. Esse mal provavelmente nunca vai acabar, mas Bill parece ter deixado um legado contra a propaganda do “melhor e mais barato” e “ofertas imperdíveis”. Consumidores são espertos. Siga o exemplo deles.

bernbach1

Bill, como maior criativo, o mestre, o guru, o génio, o pai de todos os criativos, o I’m not worthy genuíno, é o único publicitário que aparece na famosa campanha Think Different da Apple, ao lado de outras personalidades como Einstein, Gandhi, Picasso, John Lennon e outros. Curioso ainda, é o facto de este anúncio de homenagem ter sido criado pela TBWA/Chiat/Day, onde ele nunca trabalhou.


Popularity: 91% [?]

A Persuasão não é uma Arte

Publicado por Wendell Fernandes Em Agosto - 7 - 2009

Existem pessoas que parecem ter o dom de convencer outros sem muito esforço. São capazes de pedir favores de maneira inegável, efectuar vendas ou mesmo, angariar fundos com alguma facilidade. Para os restantes, os persuadidos, esta capacidade é quase “mágica”, como se fizesse parte de alguns tipos personalidade e fosse inatingível para outras.

Por isso, é natural que muito se fale em Arte da Persuasão, porque como toda arte não é coisa que se desenvolva e aprenda, arte dificilmente se aprende.

Não se constroem pintores talentosos em liceus e escolas superiores de arte, ou se tem arte, ou não se tem. Entretanto esse pensamento aplicado a persuasão está errado, persuasão não é arte, ela antes de mais uma ciência, ou melhor, um ramo de uma ciência que se chama psicologia!

Os poderes da influência e da persuasão já são estudados desde a Antiga Grécia, tendo a Retórica como referência máxima, e continuam ainda hoje a fascinar os investigadores na área das ciências sociais particularmente na área da psicologia social.

O estudo dos mecanismos que levam as pessoas a estarem em melhores condições para persuadir ou ser persuadido é a preocupação primeira de alguns investigadores, cujo trabalho derruba por terra a visão da persuasão como arte, colocando-a num patamar de ciência passível de ser aprendida por qualquer pessoa dedicada.

Entre os grandes psicólogos sociais, destaca-se um nome, Robert B. Cialdini, professor regente da Arizona State University, e também presidente da empresa Influence at Work, tem sido o dos maiores envolvidos nas pesquisas sobre as dinâmicas da dinâmicas da persuasão e da influência social.

Este autor é sobretudo reconhecido pela sua definição dos 6 princípios base que estão por detrás de qualquer tentativa de persuasão, uma teoria que tem servido de pilar no qual o estudo deste tema se tem suportado nos últimos anos.

De acordo com Cialdini os 6 princípios da persuasão são:

  • Reciprocidade – este princípio define que as pessoas estão mais dispostas a anuir com algum pedido quando algo lhes foi “dado” em primeiro lugar;
  • Consistência – as pessoas sentem-se mais dispostas a actuar de uma certa forma se encararem isso como sendo consistente com o seu comportamento prévio;
  • Autoridade – de acordo com este princípio, a autoridade ou perícia percebida do comunicador é um factor importante para que as pessoas se sintam dispostas a concordar ou fazer algo;
  • Validação Social – quanto mais “popular” for percebido ser um comportamento, maior será a tendência para que alguém se comporte dessa forma;
  • Escassez – a atractividade de um dado objecto/serviço/situação é inversamente proporcional à sua disponibilidade;
  • Atracção – as pessoas estão mais dispostas a ajudar ou concordar com aqueles de quem gostam, têm uma relação de amizade, por quem se sentem atraídos ou consideram ser similares a si.

Interessados em saber mais da fonte original? Então aconselho que visitem o site da Wook, onde tem à venda, sobre o titulo Influência: a Psicologia da Persuasão, um dos livros do Dr. Robert B. Cialdini.


Popularity: 40% [?]

O pensamento lateral de Edward de Bono

Publicado por Wendell Fernandes Em Agosto - 6 - 2009

A forma mais simples de descrever o pensamento lateral assenta no seguinte: não se consegue escavar um buraco num local diferente, escavando mais fundo o mesmo buraco. Este deve ser o ponto de vista a partir do qual se deve procurar novas aproximações e novas formas de se abordar as coisas.

Com o “pensamento vertical” assume-se uma determinada posição e partir daí procura-se construir raciocínios. O próximo passo está dependente do local onde nos encontramos, no momento.

Com o “pensamento lateral” movimentamo-nos para os lados por forma a conseguir-mos diferentes percepções, conceitos e pontos de vista. De alguma forma a mudança de percepções e de conceitos é o principal motor da criatividade necessária para desenvolver novas ideias.

Abaixo, a descrição de 2 técnicas que poderão ser usadas para potenciar as capacidades do “pensamento lateral”: A pausa criativa e o desafio.

A PAUSA CRIATIVA

Trata-se de uma curtíssima pausa, feita na mente do pensador, por forma a considerar se existem alternativas ou outra forma de se fazerem as coisas. Tem de haver uma vontade expressa em prestar o máximo de atenção à criatividade em qualquer momento do acto criativo. Durante a fluidez do processo de pensamento ou de discussão, muitos dos detalhes são dados como garantidos. A pausa criativa permite ao pensador fazer uma pausa um pouco mais longa para olhar para um determinado detalhe.

Normalmente só pensamos sobre os problemas e as dificuldades que forçam a nossa atenção. No entanto, bons resultados criativos podem surgir a partir de detalhes ignorados pelas restantes pessoas envolvidas no processo. O principal objectivo não é a tentativa de gerar novas ideias, mas a vontade de descobrir um novo ponto de partida com capacidades de gerar um novo motor de criatividade.

DESAFIO

O “desafio criativo” é um dos processos fundamentais do “pensamento lateral”. O “desafio criativo” não é um ataque, uma crítica ou uma tentativa de mostrar porque é que determinada coisa é desapropriada. É uma desafio para a exclusividade: “É esta a única possibilidade?”

O “desafio criativo” parte do pressuposto de que algo é feito de uma determinada forma, por razões que já existiam e que ainda existem ou já não existem de todo. Em qualquer caso, deve haver uma forma melhor de se fazerem as coisas.

O “desafio criativo” pode ser direccionado para o problema em questão, mas também poderá ser direccionado para a forma tradicional de se pensar o mesmo problema. O desafio pode inclusivé ser dirigido para os pensamentos que se estão a gerar numa determinada hora h: “Porque é que devemos de olhar para uma determinada coisa desta forma?”.

O desafio poderá ser direccionado para factores que moldam o nosso pensamento: conceitos que vigoram, assumpções, limites, factores essenciais, factores a evitar e/ou polarizações. Através do desafio podemos ter uma visão directa sobre estes factores por forma a avaliar se eles são mesmo necessários.

(Fonte:Edward De Bono in Serious Creativity: Using the Power of Lateral Thinking to Create New Ideas)

via Boost!: O pensamento lateral de Edward de Bono.

Popularity: 34% [?]

Cara nova para os Perdidos!

Publicado por Wendell Fernandes Em Agosto - 6 - 2009

Olá, como podem ver, o nosso webmagazine perdido está como novo layout, e com isso reforçamos o nosso conceito que é, “falar das ciências da comunicação de maneira simples de forma a que qualquer um perceba”. Voltamos a afirmar que o objectivo desse site é ser nada mais que um conduit entre a informação que julgamos relevante e o leitor que nos dá atenção e que também nos julga relevantes.

Convido a que acompanhem o twitter da equipa (@pncomunicação), ou fale conosco através do mail ou mesmo usando a página de contacto!

Grande abraço e aproveitem para deixar um comentário.

Obs: Estamos procurando mais colaboradores!


Popularity: 22% [?]

Criatividade: O Pensamento Lateral de Bono

Publicado por Wendell Fernandes Em Abril - 5 - 2009

O mestre do “pensamento lateral”, Professor Edward de Bono, que também é uma autoridade do pensamento criativo, sempre diz que o ponto de partida para soluções inovadoras é começar por bloquear o raciocínio que estamos treinados a ter.

Existem vários métodos “entusiasmantes” que não vou chegar a referir aqui, uma vez que os mesmos podem ser facilmente “investigados” no bom e velho Google. Resumindo, diria que o que se pretende com o pensamento lateral é estimular novas posturas interrogativas, variantes a partir das quais, chegaremos a soluções que nunca seriam o ponto final se fossem seguidos os algoritmos de uma decisão “mais conservadora”. Read the rest of this entry »

Popularity: 25% [?]